Certa vez, li que “a experiência é uma professora difícil, pois aplica a prova primeiro para apenas depois ensinar a lição”. Pela primeira vez em meus 25 anos, vivi uma experiência da qual tento, pelo menos, tirar algumas lições/conclusões: a experiência de ter um revólver apontado para seu peito na saída de casa, enquanto outro está apontado para a cabeça de sua namorada. Prejuízo: celulares, carteira, documentos, R$100,00 e chave do carro.
Abaixo, 10 pensamentos conclusivos sobre a experiência, com foco em como a tecnologia pode(ria) tornar nossas vidas mais fáceis em momentos como esse:
1. Excelente a “delegacia interativa” criada pela Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (http://www.sds.pe.gov.br). Creio que isso existe em outras SDS pelo país. Em poucos minutos, é possível criar via web um boletim de ocorrência policial (BO) e submetê-lo. Em seguida, o boletim é analisado por um delegado conectado à rede, que lhe telefona em poucos minutos para confirmar o BO e liberá-lo, podendo ser impresso com comodidade na sua casa e valendo tanto quanto um BO elaborado na própria delegacia.
2. Apesar de investirem montanhas em TI, concluo que os bancos ainda estão aquém do conforto necessário para o recém-assaltado. É inadmissível precisar fazer 6 tentativas e demorar mais de 30 minutos com a central de atendimento para conseguir cancelar cartões. E ainda não existe um local unificado em que se possa cancelar cheques e cartões ao mesmo tempo. É necessário cancelar cada coisa por vez. Me pergunto: por que não haver um formulário na web em que bastaria marcar nos checkboxes os itens roubados para o sistema do banco se encarregar do resto?
3. Interessante a iniciativa de algumas operadoras em dar desconto para a compra de novos celulares mediante a apresentação do BO contento a descrição do roubo do celular antigo. Mas é vacilo a central de atendimento não informar que é necessário descrever claramente no BO informações como o modelo do aparelho, seu número de série e o número da linha. Conclusão: os lucros das operadores ainda não se refletem em consistência, padronização e informação para funcionários e clientes. Será?
4. Por que alarmes de carro não podem ser reprogramados com facilidade, numa outra freqüência? Por que somos obrigados a comprar todo um conjunto de alarme novo quando a chave do carro é roubada? Certamente não é por limitações da tecnologia...
5. Na Imagine Cup 2004, lembro-me de equipes brasileiras (uma delas de PE) cujos projetos ajudavam a polícia rodoviária em suas ações. Quanto tempo levará para que radares espalhados pela cidade realizem constantemente a leitura dos veículos trafegando (RFID nos veículos? Leitura OCR das fotos das placas? Qualquer coisa serviria!), identificando que veículos foram roubados ou estão irregulares, alertando dispositivos móveis da blitz/viatura mais próxima? Se depender da tecnologia, poderíamos ter isso HOJE! Falta vontade? Ou dinheiro?
6. Pegando o embalo: alô Somassegar, que tal em 2008 termos como tema da Imagine Cup “Imagine um mundo onde a tecnologia nos permite ter vidas mais seguras”?
7. Momento descontração: é tanta coisa para fazer/registrar após um incidente como esse, que segue abaixo uma sugestão de feature para a versão brasileira do Windows que permitiria ao usuário um melhor gerenciamento de suas tarefas...

8. A eventual proximidade de trabalhar fora, em um lugar sem violência, pode soar como um conforto a médio prazo. E na verdade é. Mas medíocres são aqueles que simplesmente fogem dos problemas de seu país sem nada fazer para melhorá-los. Espero algum dia poder retornar à sociedade o que ela me deu, e tenho certeza que até hoje o balanço é positivo, apesar dos pesares.
9. Raiva à parte, não desejo mal nenhum para os bandidos, apenas justiça. Mais do que isso, desejo EDUCAÇÃO para que os filhos deles tenham uma chance mais digna nesse país. Se os candidatos que merecerão seu voto em outubro não priorizarem isso, acho hora de você rever seus conceitos!
10. Lição final: vão-se os anéis, ficam-se os dedos. Viva Brasil!
PS: Momento bem adequado para resgatar o passado e dizer que continuo dizendo SIM ao desarmamento e à civilização... http://thespoke.net/blogs/afurtado/archive/2005/10/08/477718.aspx e http://thespoke.net/blogs/afurtado/archive/2005/10/19/668417.aspx
[]s
-- AFurtado