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AFurtado  
Engenharia de software, tendências, entrevistas e competições no mundo de TI.

A ilusao do software livre, no governo

Da revista Veja:

O grátis saiu mais caro

Ao insistir no software livre, o governo
deixa de melhorar os serviços eletrônicos
aos cidadãos e desperdiça dinheiro

Um critério para avaliar a eficiência da administração pública é o uso da informática para reduzir a burocracia estatal e facilitar a vida do cidadão. Quatro anos atrás, o Brasil pertencia à elite mundial nesse quesito, à frente do Japão. Brasileiros eram convidados para descrever em congressos internacionais a experiência nacional com as compras públicas pela internet, com a declaração on-line do imposto de renda e com o voto eletrônico. O governo Lula mudou radicalmente as prioridades nessa área. Em lugar de ampliar as experiências bem-sucedidas, passou a priorizar a implantação do software livre na administração federal. O resultado: o Brasil caiu dezenove posições no ranking das Nações Unidas que avalia o uso da informática pelos governos, ficando atrás do Chile e do México.

A oposição aos programas comerciais – leia-se aí a Microsoft, fabricante do sistema operacional Windows e a maior empresa mundial de software – é uma bandeira do PT. A posição está baseada, em parte, na desconfiança ideológica que o partido nutre em relação às grandes corporações capitalistas. "Não podemos depender dos programas vendidos por uma ou outra empresa privada", explica Rogério Santanna, secretário do Comitê Executivo de Governo Eletrônico, subordinado ao Ministério do Planejamento. O software livre é um programa ou sistema operacional que pode ser modificado por qualquer um e, em princípio, pode ser obtido gratuitamente na internet. Em teoria, é uma boa idéia usar e não pagar. Na prática, talvez seja um problemão, sobretudo se o uso se transformar em obrigação. "Ao optar por um programa, é preciso pesar cuidadosamente os prós e os contras", diz Fernando Parra, presidente da DTS, empresa de São Paulo que desenvolve softwares e presta serviços de tecnologia. "Não se podem tomar, com base em motivos ideológicos, decisões que deveriam ser técnicas."

A migração para o software livre custou caro para os cofres públicos. O governo federal precisou contratar 2.000 técnicos em informática. Só os salários e os encargos trabalhistas desses programadores ultrapassam 56 milhões de reais por ano – o dobro do que o Instituto Nacional de Tecnologia da Informação, vinculado à Casa Civil, estima que o governo federal economizou com os programas que deixou de comprar em 2004. Nem sempre o software livre é pior que o comercial, mas sua adoção pelo governo brasileiro revelou-se ineficiente. Os técnicos do Serpro, empresa de processamento de dados subordinada ao Ministério da Fazenda, tentaram em vão substituir por software livre os programas que funcionavam com perfeição mas estavam sendo rejeitados apenas porque operavam em Windows, o sistema da Microsoft. Foram feitas versões em código aberto do programa de imposto de renda on-line e do portal de compras públicas ComprasNet. O resultado foi tão ruim que os dois programas continuam funcionando no sistema Windows. "A cruzada ideológica pelo software livre é apenas a ponta do iceberg", diz Florencia Ferrer, diretora-presidente da FF Pesquisa & Consultoria, de São Paulo, especializada em governo eletrônico. "O governo também foi incapaz de inovar na administração pública usando a tecnologia."

O governo do Paraná envia mensagens para o celular de desempregados informando sobre vagas disponíveis. Em São Paulo, já é possível preencher o boletim de ocorrência policial pela internet e pedir segunda via do documento de identidade. O governo federal nem sequer conseguiu fazer o mesmo com a emissão de passaportes. Um dos principais atrasos refere-se à licitação on-line. O governo federal faz apenas 46% de suas compras públicas – de material de escritório a papel higiênico – pela internet, contra 80% do governo de São Paulo. Em uma licitação on-line, a União informa que bens deseja comprar, e fornecedores de todo o país e do exterior se engalfinham para ganhar a concorrência com o menor preço. O comprador sempre sai ganhando, porque o número de ofertas é muito maior, e a transparência no processo diminui os riscos de corrupção. Se o governo federal tivesse o mesmo padrão de compras on-line que o estado de São Paulo, teria economizado 3 bilhões de reais nos últimos três anos, segundo estudo da FF Pesquisa & Consultoria.

Algumas promessas de governo eletrônico foram cumpridas apenas parcialmente, como a de fazer com que as bases de dados dos diversos órgãos públicos conversem entre si. O governo tenta sem sucesso fazer o cruzamento de dados entre as secretarias de Segurança, da Receita Federal e dos tribunais eleitorais. Em lugar de investir para oferecer serviços aos cidadãos e melhorar a eficiência da máquina burocrática, o governo Lula usou as conquistas eletrônicas da administração anterior em sua desastrada campanha para se tornar líder sul-americano. A conseqüência dessa política foi um banho de água fria nas aspirações comerciais de muitas empresas sediadas no Brasil que desenvolvem software e urnas eletrônicas. A Unisys e a Diebold Procomp, fabricantes de urnas eletrônicas de São Paulo, tinham planos de exportar a tecnologia para os países vizinhos. Em vez de emprestar algumas poucas urnas para fazer propaganda, o governo Lula decidiu bancar as eleições alheias. Só para o Paraguai foram emprestadas 15.000 urnas para as eleições de 2005 e 2006. A empresa Vesta, de São Paulo, deixou de vender softwares de compras públicas on-line para a Bolívia porque Lula, em seu primeiro ano no poder, resolveu oferecer ao país, de graça, um programa com a mesma função. "O governo federal não só reinventou a roda com o software livre à custa do contribuinte, como prejudicou a competição no mercado de tecnologia", diz Paula Santos, sócia da Vesta. É a política do software livre contra o livre mercado.

[]s
-- AFurtado

posted on Monday, May 15, 2006 10:39 PM by AFurtado

# re: A ilusao do software livre, no governo @ Tuesday, May 16, 2006 7:17 AM

Pois eh... este negocio esta se tornando o maior engodo da historia recente da informatica.
Tb... nada mal para um governo que viu ruir toda uma retorica que parecia ser a salvacao da humanidade.

[]s Juliano

julianocarvalho

# Os pinguins não gostaram da Veja dessa semana @ Thursday, May 18, 2006 1:53 PM

Pessoal, nosso amigo André Furtado postou sobre uma matéria da revista Veja dessa semana. Leia aqui A...

bruno.bcosta

# re: A ilusao do software livre, no governo @ Thursday, May 18, 2006 2:28 PM

Tenho a assinatura da Veja mas ainda não tive tempo de ler a matéria...vou ler ela hoje a noite! Mas Como disse o Juliano isso pra mim é mais que esperado, olha a situação do país, querem cobrar impostos dos cidadãos mas não querer investir em empresas que geram emprego e pagam impostos, nenhuma alternativa seria melhor que essa para desviar verbas e aumentar a mesada dos mensalinos!

[]'s

mauriciogonzatto

# re: A ilusao do software livre, no governo @ Thursday, May 18, 2006 2:59 PM

O fórum da veja é em PHP. Estranho não é? Qual é o servidor web mais utilizado segundo a NetCraft? O Tribunal de Justiça de Goiás tem dezenas de máquinas rodando Kurumim sem nenhum problema ou necessidade de assistência.
Para completar eu digo que também gosto do Windows, acho que o mesmo precisa melhorar na área de segurança mas nem por isso eu adoto uma posição de aversão, pois o melhor emprego ou oportunidades de negócio podem estar onde você menos espera.
Prefiro ASP.NET, mas como surgiu uma oportunidade que aumentou meu salário significativamente eu passei a trabalhar mais intensamente com JavaServer Faces e PHP.
Em ambos os casos especialistas são necessários.

rpa_rio

# re: A ilusao do software livre, no governo @ Friday, May 19, 2006 8:34 AM

Esta questão é polêmica! Mas concordo com a matéria que esta decisão sempre deve ser técnica e não ideológica e também acredito que o governo pecou em colocar esta ideologia como prioridade ao invés do desenvolvimento tecnológico. Agora sobre o que o rpa_rio disse, não importa qual é o servidor web mais utilizado nem o forum da veja, o que importa é qual resolve o problema melhor e no caso do governo trocaram um certo por um duvidoso e deu no que deu, quem paga pela briga ideologica? Eu e vocês...

shinji

# re: A ilusao do software livre, no governo @ Friday, May 19, 2006 1:55 PM

software livre x software proprietario isso vai longe!
o que vale para o profissional é ta preparado para apresentar a melhor solução para o problema da empresa que ele irá prestar o serviço, e estudar muito as duas areas para assim poder expressar sua opnião, comecem dando uma olhada no windows vista e outra no mandriva 2006 free, esperimente unir as duas forças e montar uma maior a do conhecimento!
Aqui onde trablho, usamos servidor de internet linux, e usamos estaçoes de trablho windowsXP com openOffice!
Esperimente rodar o vista em k6-500 (sacangem)! faço o contrario coloque um usuario domestico na frente do Gentoo Linux! (sacanagem), É PESSOAL, vamos estudar, e aprender, não ficar discutindo o que é o que!, cada caso tem um medida! então saiba escolher o melhor para o seu cliente, para que outro profissional não tome o seu lugar!

Eu uso WinXP e Linux no meu notbook!
Façam o mesmo e se preparem para um futuro inserto!

Cleyton17


 
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