No embalo dos Piratas do Caribe exibido na semana passada, finalmente reservo um tempinho para fazer um post bem aguardado, que devia há um mês: mais uma aventura Microsoftiana em terras (ou melhor, águas) internacionais. Trata-se do Academic Days on Game Development, evento para discutir o futuro de jogos de computador no contexto da educação, que aconteceu em um cruzeiro nas Bahamas, Caribe, no final de fevereiro deste ano.
Abaixo, segue o diário de bordo.
Parada estratégica em Orlando
O plano passado a nós pela MS era simples: chegar em Orlando dia 21/02, passar um dia em um resort da Disney e, no dia seguinte, seguir para Porto Canaveral, de onde seria feito o embarque. Entretanto, temendo que o caos no tráfego aéreo naufragasse o sonho de embarcar em um cruzeiro, achei prudente ir para os EUA um dia antes do planejado pela Microsoft.
Querendo evitar o trecho Recife-São Paulo para depois subir de volta aos EUA, optei por um vôo “direto de Fortaleza”, como me informaram na hora da compra. Era bom demais pra ser verdade: a trajetória do vôo terminou sendo Recife -> Fortaleza (conexão) -> Belém -> Manaus (conexão) -> Miami (conexão) -> Orlando. Foi tão longo que deu para pegar um resfriado e ficar curado na mesma viagem... (ou quase isso)
Do ônibus do aeroporto para o hotel, minha impressão foi que Orlando parece um imenso parque de diversões: Wet ‘n’ Wild pra cá, Bush Gardens pra lá, enfim, por onde você passa há luzes e atrações de entretenimento. Ao meu lado no ônibus, um americano com o qual puxei conversa questionava: “O Brasil não é aquele país fininho, entre o Pacífico e os Andes?”. Sigamos em frente...
Como tinha um dia inteiro por conta própria, aproveitei para (tentar) conhecer lugares de que tanto ouvia falar na infância. Havia tempo de escolher apenas uma atração. Escolhi o Universal Studios, que valeu bastante a pena. (Dica de pronúncia: lá descobri que o correto é falar UniVERsal, estressando o “VER”!)

Foto clássica no Universal. De noite é ainda mais bonito!

Um dos faraós na entrada d’A Múmia, atração bem disputada no parque.
Coronado Springs
Ao final do dia, encaminhei-me ao Disney Coronado Springs Resort, hotel de primeira bancado pela Microsoft para todos na véspera do embarque. Por coincidência, o taxista era recifense! Realmente há muito brasileiro empregado na Flórida.
Abaixo, fotos do Coronado Springs. Pena que ficamos menos de um dia lá... confiram o motivo!

Entrada do hotel.

Uma das edificações contendo os quartos.

Uma das áreas de lazer do resort.

Centro de Convenções do resort. Lá estava sendo feito o credenciamento para o evento. Cada participante ganhou um kit muito legal:

Pacote com programação e anais do evento, o jogo The Sims 2, posters, folhetos e CD do Flight Simulator aplicado ao ensino de física e, por fim, mais uma mochila Microsoft para a coleção!
Na manhã do dia seguinte foi aberto oficialmente o evento, com um café da manhã no resort. As palestras iniciais aconteceram na manhã do próprio hotel, entre elas o Chris Satchell, General Manager do XNA, introduzindo a plataforma de jogos da MS.

No slide acima, o Chris mostrou o crescimento das comunidades XNA pelo mundo. No fim da animação, a foto da comunidade brazuca SharpGames (http://www.sharpgames.net) bem visível por cima dos demais screenshots!
Em seguida, uma professora dos EUA apresentou uma palestra interessante discutindo se e como o sexo dos alunos (masculino ou feminino) tem influência no aprendizado através de jogos. Conclusão interessante: mulheres não necessariamente têm menos interesse em jogos do que homens. Elas possuem gostos por estilos e gêneros diferentes de jogos, que ainda não são atendidos pelo mercado, voltado em sua grande maioria para o público masculino. Por fim, o pessoal que criou o Second Life deu um show mostrando o potencial desse “simulador de vida” (não atrevo a chamar de jogo).
Embarcando no Disney Wonder Cruise
Finalmente um dos momentos mais esperados da viagem: o embarque no cruzeiro! E que navio! Possuindo 300 metros de comprimento e 84 mil toneladas, o Disney Wonder Cruise é realmente operado pela empresa do Mickey Mouse e possui capacidade para quase 4000 pessoas, das quais 920 são da tripulação. O navio possui 875 cabines para hóspedes e 509 para a tripulação. Mais dados curiosos:
- Sua âncora pesa 12 toneladas (mais ou menos 3 elefantes);
- Sua velocidade não é lá essas coisas: pouco mais de 50km por hora;
- Em movimento, ele é capaz de transformar a água do mar em 500 mil galões de água potável;
- O navio possui 5390 travesseiros a bordo;
- 2600 copos de café são servidos todos os dias a bordo;
- 5000 ovos são servidos a cada manhã a bordo;
- Os membros da tripulação pertencem a mais de 50 nacionalidades. É quase uma final mundial de Imagine Cup!
Vamos às fotos, pois elas falam mais do que as palavras:

Primeira foto junto com o navio. Observem o tamanho da criança, que não coube inteira na foto. Detalhe: a combinação da roupa com a chaminé foi acidental.

Logo após entrar no navio, o impacto com sua beleza. Escadarias e muito mármore. Acima está o Triton’s, um dos restaurantes a bordo.

No caminho para o quarto, uma exposição de quadros.

As cabines de hóspedes do navio.

Não, o navio não estava naufragando. Mal chegamos e já fomos convocados para receber as instruções referentes aos procedimentos de segurança. Todos vestidos com seus coletes em suas zonas de agrupamento.

Acima, o Amintas (da Microsoft, chefe da delegação nacional) e meu co-orientador Geber Ramalho (UFPE) não estavam lá se importando muito com as sombras do Titanic!
Navegar é preciso!
Instruções de segurança dadas, hora de partir rumo a Nassau, capital das Bahamas, em uma viagem de 500km. Chegaríamos apenas na manhã do dia seguinte. Enquanto isso, um tempinho para conhecer (e se impressionar) mais com o navio, antes das palestras noturnas do Academic Days.

Um dos corredores do cruzeiro. Andar sem o mapa do navio não era uma boa idéia, afinal, não era muito difícil se perder em seus 11 andares!

Para enfrentar esse prédio flutuante, nove elevadores (3 na frente, 3 atrás e 3 no meio), devidamente detalhados com temas da Disney. Cada lugar no navio tinha seu próprio endereço. Por exemplo, o Guest Services ficava no “4 midship”, isto é, na zona do meio do quarto andar.

Entretenimento era o que não faltava. Num congresso de games, nada mais adequado do que uma sala só com jogos eletrônicos e fliperamas por perto!

Para relaxar, bastava uma volta no lado de fora. Terra à vista? Por algum tempo, nem pensar...

Pessoal aglutinado em um dos últimos andares do navio, perto de uma das chaminés.

Na proa, quadra poli-esportiva, mesas de totó e ping-pong.

A turma acadêmica nacional reunida na partida. Da esquerda para direita, meu orientador André Santos (UFPE), o Ricardo Anido (Unicamp), Geber Ramalho (UFPE) e o Esteban Clua (PUC-RJ), grande figura!

À noite, mais palestras e jantar de boas-vindas. Os garçons não perdem tempo em tirar uma com a sua cara (pelo menos foram as orelhas do Mickey no lugar dos clássicos “chifrinhos”).

A mordomia a bordo foi algo sem palavras... O quarto era arrumado 3 vezes por dia. Ao chegar no quarto, os camareiros sempre deixavam as novas toalhas na forma de algum animal. Acima, um coelho. Esse pessoal fez um curso de especialização de origami para toalhas??
Bom-dia, Caribe!
Dia seguinte, ao chegar para o café da manhã na popa do navio, uma bela surpresa: já havíamos chegado às Bahamas!

Tudo aquilo que você ouviu falar sobre as águas azuis do caribe... são a mais pura verdade!

Antes de desembarcar, algumas palestras interessantes, entre elas o cidadão do Unreal aí em cima deu show mostrando a engine!

O Dave Mitchell, do Microsoft XNA, falou algumas novidades acadêmicas interessantíssimas em relação a essa que é a nova plataforma da MS para o desenvolvimento de jogos. Entre elas, a liberação de licenças do XNA Creators Club (que permite implantar jogos no Xbox 360) para instituições assinantes do MSDN-AA (Academic Alliance)! Muito bom! Fiquei também bastante satisfeito ao ver o Dave citando meu trabalho (Space War Mission Commando) como exemplo de inovação e facilidade de extensão do XNA.

Finalmente, desembarque em Nassau. Acima, o Amintas e a Vanessa Jardim, da PlayTV.

Nas Bahamas as coisas são assim, bem explícitas: nada de drogas ou armas nucleares (!) dentro da loja! :)

O mar das Bahamas. Apesar dos gringos estarem achando aquilo o paraíso, a água estava gelada demais para um recifense! Pelo menos depois acostuma...

Nassau é toda enfeitada com “gadgets” de piratas por todo canto, para divertir turistas bestas (como eu).

A população nativa das Bahamas. Apesar de estar situada na América Central, o país teve colonização britânica e todos falam inglês, embora com um sotaque africano forte e bem “musical” (interessantíssimo!)

À noite, um “jantar pirata”. Alguns acessórios foram nos dados de presente. Já tenho fantasia para o carnaval de Olinda no próximo ano!

Após o jantar, mais palestras! Nada mal essa vida de “dormir-comer-palestra sobre jogos-praia-comida-palestra sobre jogos-dormir”. Meu destaque vai para o Jon Schwartz, criador da linguagem Phrogram (http://phrogram.com/). Esta linguagem tem o objetivo de ensinar conceitos de programação. É extremamente simples e, o mais legal, orientada a jogos! Muito motivante para os alunos, algo para se perguntar “como não pensei nisso antes”? O criador do engine TorqueX também deu uma palhinha por lá em seguida.
Castaway Cay: o paraíso é aqui!
Estava longe o dia em que eu me imaginaria pondo os pés em uma ilha privada, isto é, comprada com o dinheiro de alguém... Não estava mais: ao acordar no dia seguinte, estávamos em Castaway Cay, algo como “ilhota do náufrago”. O “Cay” se pronuncia igual a “key” (chave) em inglês (isto é, “quí”, e não “quêi”). Essa ilhota foi comprada pela Disney para propósitos turísticos. Apenas o Disney Wonder (e seu navio irmão Disney Magic) param por lá.

Uma das cenas mais bonitas da minha vida: acordar de manhã, ir para fora e ver o navio do Piratas do Caribe repousando nas águas azuis de Castaway Cay! A ilha é cheia de itens cenográficos como esse. Por exemplo, na área de mergulho da ilha, está naufragado o submarino do 20 Mil Léguas Submarinas, junto com uma estátua do Mickey!

O novo e o velho, o real e o imaginário se encontram. Apesar de ser uma ilhota privada no meio do Mar do Caribe, Castaway Cay possui uma infra-estrutura turística fantástica, com lojinhas e restaurante. Para se ter uma idéia, alguns cabos de rede são conectados no cruzeiro ao aportar. O objetivo? Permitir que você possa fazer compras na ilha com o seu próprio cartão do quarto do hotel. Tudo conectado.

O que uma pista de pouso clandestina faz em uma ilha privada? Por incrível que pareça, a ilha existia muito antes da Disney comprá-la. Acreditem ou não, ela era usada como ponto de parada de traficantes pelo Caribe no século XX! Era a famosa terra de ninguém.

Definitivamente, que vida mais ou menos, hein!?

À noite, o clássico “jantar com o capitão”. Hora de tirar aquela roupa mais elegante da mala para usar nem que seja uma única vez!

Acima, os capitães do cruzeiro. A tripulação passa 6 meses ininterruptos viajando para depois ter 2 meses de férias!

Após o jantar, trégua no vinho para mais palestra! Acima, o Chas Boyd, um dos grandes gurus do time Windows Graphics falou sobre o futuro do DirectX. Parece que ele não estava muito contente com meu comportamento paparazzo!

Por fim, uma das palestras mais fantásticas e cômicas do evento. Acima, Ken Perlin, do MIT, apresentou sua palestra “The Illusion of life revisited”. Entre outras coisas, Perlin elicitou os desafios da computação gráfica e animação ao mostrar como fazer quatro pares de ovelhas dançarem valsa de maneira convincente (isso mesmo, você não leu errado...)! Único!
Fim da aventura: quebrando o pé em Miami!
Finalizadas as palestras da noite, nada nos restava senão dormir para acordar no dia seguinte em solo americano novamente. No caminho para o quarto, questionei à funcionária do Guest Services por que o navio estava tremendo tanto. Ela me disse que se devia ao fato de estarmos na zona da maior profundidade de toda a viagem, o que causava ondas mais fortes. Fui para a cama sem me atrever a perguntar de quanto era essa profundidade...
No dia seguinte, após o controle de imigração americano, aportamos em Cabo Canaveral. Por fim, voltamos a Orlando, deixando para trás essa aventura fantástica que foi o Academic Days on Game Development.
A história, entretanto, não termina aqui. Como parte dos meus planos originais, decidi ir por conta própria a Miami, lugar em que nunca estive (a não ser fazendo escala), para conhecer o famoso local.
Depois de quatro horas de ônibus Orlando-Miami, passei duas noites na cidade. Alguns pontos curiosos que gostaria de compartilhar com vocês:

Esta é South Beach, praia que é uma continuação de Miami Beach. Enquanto em Seattle (perto de onde fica a Microsoft), do outro lado do continente, a temperatura beirava o zero, em South Beach o clima estava em torno de 25 graus. Dá para ver a fria em que vou me meter... Acima, alguns detalhes interessantes da praia: ora um cargueiro chinês rasga o horizonte em direção à Ásia, ora alguns caminhões cruzam a areia logo atrás de você.

O esquema de sinalização nas praias em Miami é bem interessante. Os postos salva-vidas, creio que menos de 500 metros um dos outros, indicam com bandeiras a situação corrente. No caso da foto acima, o dia estava experimentando uma maré de médio perigo (bandeira laranja) com “vida marinha perigosa” (bandeira azul). Tubarões??

Pessoal meio desacostumado com o sol, não? (olhe com atenção...)

Nosso amigo acima, todo vestido, passeava pela praia usando uma espécie de detector de metais. Muito estranho! Minas? Tesouros enterrados na areia? Sabe-se lá! Outra coisa interessante é ver o pessoal “jogando bola” na praia: a bola, na verdade, sempre é de futebol americano...
Por fim, após andar uns 2km em South Beach, uma topada triunfal em uma pedra enterrada na areia (ou melhor, bem exposta na areia, mas às vezes parece que sou cego), literalmente marca minha aventura. Mancando, com o dedo roxo e incapaz de calçar qualquer tipo de sapato, assim termina minha história pelos EUA e Caribe: embarcando de sandálias para casa.
Costuma-se dizer no Japão que quebrar uma xícara é sinal de sorte: teoricamente, você não gastou sua sorte evitando que a xícara se quebrasse, conseqüentemente economizando a sorte para momentos seguintes (e talvez mais importantes). Talvez por isso algumas pessoas desejam “quebre o pé!” no lugar de “boa sorte”.
Felizmente, tive muita sorte de conhecer lugares, pessoas e experiências fantásticas durante toda a viagem. Acho que estava economizando minha sorte para quebrar o pé justamente no último dia de viagem. Se esse foi o preço a ser pego, então confesso que ainda assim saí no lucro!

Obrigado a todos que torceram pela aventura e leram esse longo post até aqui. Desejo que muitas novas janelas e oportunidades se abram para todos nós em um futuro próximo!
[]s
-- AFurtado